As Obras de Defesa Venezianas: bastiões entre terra e mar
As Obras de Defesa Venezianas são uma rede militar transnacional, não uma única fortaleza italiana. Inscrita em 2017 segundo os critérios (iii) e (iv), a propriedade serial contém seis componentes partilhados por Itália, Croácia e Montenegro, estendendo-se por mais de 1 000 quilómetros, da região lombarda à costa oriental do Adriático. Itália contribui com três componentes. A distinção entre Stato da Terra e o Stato da Mar ocidental, presente no título completo, é essencial para compreender o sistema.
As defesas terrestres protegiam a República de Veneza das potências europeias a noroeste; o sistema marítimo protegia as rotas e os portos do Adriático em direção ao Levante. Em conjunto, sustentavam a expansão e a autoridade da Sereníssima por meio de estruturas civis, militares e urbanas. A mudança técnica decisiva foi o sistema alla moderna, ou sistema abaluartado, desenvolvido em resposta à pólvora e às armas de fogo. Terraplenagens, fortificações, enquadramentos paisagísticos e soluções logísticas mostram como a arquitetura militar teve de acompanhar a transformação dos métodos de combate.
Esta entrada não deve ser confundida apenas com muralhas medievais. Alguns componentes incluem estruturas anteriores, enquanto alterações napoleónicas, austríacas, otomanas e do século XX revelam adaptações e danos posteriores. Os locais individuais encontram-se geralmente em bom estado, embora a integridade varie e alguns enfrentem pressões do desenvolvimento e do turismo. A proteção jurídica funciona a nível nacional e regional ou local, enquanto um plano de gestão transnacional coordena os três países. O marcador italiano é, assim, um componente representativo de uma paisagem defensiva conectada.
