O laboratório internacional de arquitectura moderna de Le Corbusier
Este bem não corresponde a um único edifício francês. A UNESCO regista uma propriedade transfronteiriça em série, composta por 17 elementos distribuídos por sete países e inscrita em 2016 segundo os critérios culturais (i)(ii). O componente francês é a Unité d’habitation de Marselha; o conjunto mais amplo reúne obras desenvolvidas ao longo de meio século e em vários continentes.
O seu interesse está na forma como a série transforma edifícios individuais em testemunhos de um projecto arquitectónico internacional. Os componentes responderam a questões do século XX relacionadas com novas técnicas, necessidades sociais e uma nova linguagem arquitectónica. Dentro desse argumento, a Unité d’habitation de Marselha destaca-se como protótipo de habitação capaz de equilibrar a vida individual e colectiva, e não como um monumento autónomo de desenho decorativo.
Edifícios modernos próximos podem partilhar betão, formas geométricas ou grandes superfícies envidraçadas, mas isso não os integra automaticamente no bem UNESCO. O registo reúne experiências contrastantes: a Villa Savoye exprime os Cinco Pontos de uma Nova Arquitectura; o Cabanon explora uma célula mínima de habitação; a Unité representa a estandardização e a habitação colectiva; e o Couvent de La Tourette demonstra o uso de betão armado pré-esforçado. O ponto francês é, portanto, um componente de uma série arquitectónica global, não a totalidade da candidatura.

