Catedral de Chartres: a unidade de uma linguagem gótica
A Catedral de Chartres distingue-se pela unidade pouco comum entre arquitetura, escultura, pintura e vitrais. Iniciada parcialmente em 1145 e reconstruída depois do incêndio de 1194, tornou-se uma expressão definidora da arte gótica do início do século XIII. A vasta nave, a fachada ocidental, os portais, as torres e os pórticos do transepto não são atrações separadas, mas partes de um programa arquitetónico e visual que servia também uma importante peregrinação dedicada à Virgem Maria.
Em comparação com Reims, Chartres fala menos de um conjunto régio articulado e mais da coerência de uma só catedral e da sua decoração. O Portal Real conserva escultura do século XII, enquanto as entradas norte e sul apresentam extensos programas escultóricos góticos, já na transição para além das tradições românicas. A catedral preserva também um conjunto excecionalmente amplo de vitrais, incluindo janelas realizadas aproximadamente entre 1210 e 1250 e as grandes rosáceas associadas às três fachadas.
Os elementos importantes vão além do célebre azul dos vidros. Portais esculpidos, decoração pictórica interior e a relação do edifício com a planície da Beauce contribuem para a sua identidade. A silhueta é descrita como visível a mais de 25 quilómetros, fazendo da catedral uma referência clara na paisagem. Acrescentos posteriores, como a estrutura metálica do telhado do século XIX e a criação contemporânea de vitrais, fazem parte da história contínua do edifício sem apagar o seu caráter gótico.

