Florença, a cidade renascentista coerente
Florença destaca-se pela densidade e coerência do seu património urbano e artístico. Erguida sobre um assentamento etrusco e a colónia romana de Florentia, a cidade alcançou preeminência económica e cultural sob os Médici nos séculos XV e XVI. O bem da UNESCO cobre 505 hectares dentro dos vestígios das muralhas do século XIV, reunindo o quadrilátero romano, as ruas medievais e a cidade renascentista num único centro histórico.
A distinção face a Ferrara e Génova está na amplitude da atividade artística distribuída por todo o ambiente urbano. Santa Maria del Fiore, o Batistério e o Campanile de Giotto convivem com Santa Croce, Santa Maria Novella, San Lorenzo, Santo Spirito, San Miniato, o Convento de San Marco, o Palazzo Vecchio, os Uffizi, o Palazzo Pitti e os Jardins de Boboli. Pontes como a Ponte Vecchio e a Ponte Santa Trinita ligam as margens do Arno, enquanto portas, torres, palácios fortificados, loggias e fontes conservam o passado mercantil da cidade.
O interesse está na combinação entre obras-primas individuais e continuidade urbana. As criações associadas a Giotto, Brunelleschi, Botticelli, Michelangelo, Leonardo da Vinci e Fra Angelico inserem-se em ruas e edifícios que exprimem a história social e económica de Florença. As colinas envolventes mantêm características toscanas e enquadram o centro, mas o registo também identifica limites ao planeamento responsável: poluição atmosférica causada pelo tráfego, diminuição do número de residentes, turismo de massas e risco de inundações afetam o ambiente patrimonial.
