A rede radial das residências da Casa de Saboia em Turim
As Residências da Casa Real de Saboia transformam o programa construtivo de uma dinastia numa propriedade patrimonial urbana e rural interligada. O conjunto desenvolveu-se a partir de 1562, depois de Emmanuel-Philibert transferir a capital ducal para Turim, e a inscrição reúne 14 componentes dentro de um conjunto mais vasto de 22 palácios e villas. Onze componentes ficam no centro de Turim e outras 11 distribuem-se em redor da cidade. A lógica do bem é, por isso, a de uma rede, não a de uma única residência real.
A ideia central distingue o conjunto de palácios barrocos isolados. A “Área de Comando”, que inclui o Palazzo Reale, o Palazzo Chiablese e o Palazzo della Prefettura, organizava a vida política, administrativa e cultural. À sua volta, maisons de plaisance, villas e pavilhões de caça formavam a Corona di Delizie, ou “Coroa das Delícias”. Castello di Rivoli, Castello di Moncalieri e Castello di Venaria ajudaram a criar este anel; Racconigi, Govone, Agliè e Pollenzo prolongaram o projeto pelo campo. Estradas, percursos de caça, materiais partilhados e uma linguagem estilística coerente ligavam as diferentes partes.
Aqui, o poder exprime-se pelas dimensões, pelos eixos e pela organização do espaço, e não apenas pela ornamentação. Arquitetos e artistas da corte, entre eles Ascanio Vitozzi, Benedetto Alfieri, Amedeo di Castellamonte, Guarino Guarini e Filippo Juvarra, trabalharam em vários pontos do conjunto. As mudanças posteriores na atenção da família real e as campanhas de restauro fazem com que a apresentação e o estado de conservação variem entre residências. O restauro e a conversão de Rivoli no Museu de Arte Contemporânea ilustram a mudança de uso público, enquanto investigação arquivística, estratigráfica, científica e estrutural continua a orientar a conservação.
